segunda-feira, 20 de junho de 2011

maria do bairro





Manhã. Maria está muito pálida, em pé, com frio e batom vermelho - muito vermelho. 


- Eu tenho uma coisa muito importante para te dizer. Na verdade, durante todo esse tempo, sempre tive algo muito importante para te dizer. Minha dificuldade é perceber a brecha que há, se é que há, em todos esses nossos infindáveis diálogos. Quando será o Big Bang do "nunca dito"?  Talvez, toda essa ausência até agora, tenha sido uma tentativa de preservação, para não nos deixarmos vulneráveis a mediocridade que é colocar em palavras um encontro. A verdade é que sempre que fujo, vou por medo de ser precipitado ficar. Escute, você ainda está perto? Aqui, em mim, todo esse não visível, há. E muito. Eu gosto de você. 


(silêncio)


Agora sempre é uma esquina inesperada no meu roteiro e sempre me obrigo a saber o que fazer com isso. Estou imóvel nesta travessa desconhecida e não quero mais escapar. A minha exaustão não deixa de ser uma espécie de salvação. A minha salvação.







Um comentário:

Hildebranda disse...

loves semseculo redux. reduzir em palavras sempre pode ser um erro, por isso falemos menos. ah, mais somos mulheres! como?

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