
Fui dormir relendo trechos dos livros mais especiais da minha cabeceira.
Aqueles trechos grifados com lápis, com exclamações, estrelinhas definindo minha emoção da primeira, ou da segunda, ou da quinta vez que lia (mas sempre como se fosse a primeira vez) aqueles trechos todos...
Fui dormir com muitas imagens na mente. Difícil apagar.sair do teatro.fechar os olhos e relaxar, quando a cabeça e o coração bombardeiam de perguntas que hoje de fato ainda não posso me dar.
No problem.Tout va bien!
Vivo as perguntas.
Lembrei do Rilke.
"o senhor é tão moço, tão aquém de todo começar, que lhe rogo, como melhor posso, ter paciência com tudo o que há para resolver em seu coração e procurar amar as próprias perguntas como quartos fechados ou livros escritos num idioma muito estrangeiro. Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas, por que não as poderia viver. Pois trata precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. talvez depois, aos poucos, viva as respostas. Quiçá carregue em si a possibilidade de criar e moldar- como uma maneira de ser particularmente feliz e pura. Eduque-se para isto,e aceite o que vier com esta confiança."
Lembrei de uma frase que diz que - existem duas coisas importantes na vida: a primeira, conseguir o que se quer , e depois desfrutar isso. Só os mais capazes podem alcançar a segunda.
Nossa como isso é real.COMO!!!!
E por fim lembrei do filme Janela da Alma , do depoimento do Win Wenders , do Saramago...do Hermeto Paschoal.
O mundo está cheio de coisas horríveis para ver, diz Hermeto Paschoal no filme, o que o faz desejoso de estar cego temporariamente, porque o sentido atrapalha "a visão certa";
Saramago acredita que vivemos nas cavernas de Platão, tomando sombras por realidade.
Vemos coisas demais, temos coisas demais, por isso nada vemos ou temos, diz o cineasta Wim Wenders.
Wenders lembra também por que os filmes de John Ford o fascinavam quando pequeno. Para ele Ford deixava grandes espaços entre as cenas, o que lhe permitia viajar dentro das imagens e, o mais importante, imaginá-las. Os quadros e paisagens de Ford jamais limitaram o olhar.
É assim que desejo a arte, a vida, o amor, a humanidade e as mais diversas relações em todas as áreas possíveis.
Continuo sempre no exercício de não limitar meu olhar, de lapidar a mim mesma para criar a realidade, de contemplar o outro , as solidões de cada um e de amar e viver com confiança todas as minhas perguntas....
sei que ainda viverei as respostas e elas trarão consigo mais mil novas perguntas.
faço e danço essa música.
