sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vida Básica

Já que pediram ...um texto dos posts antigos...


Tô cansada dessa vida básica
Hora ajustada para acontecer
Despertador marcado com antecedência
Gritando “ ação”
“Eu não!”
respondo
...sonada
Falo de novo
“Chega dessa vida básica”
O pretinho clássico é justo demais
Incomoda
Restringe meu rebolado
Me deixa sem gingado
Não mantenho a pose de salto alto
Tropeço de cara
E me sobra um joelho ralado
Pra cair só se for fora desse esquema armado
Pessoas estilo supermercado
ação pelo dinheiro
compro – como- bebo
falta de tempo
Sinônimo de atividade
“estou fazendo e acontecendo ...”
“com licença não dá pra falar com você agora : encontrei a felicidade”
É ..pensar no mundo ta fora do prumo
Fiquei de fora
Na procura incessante do meu rumo
Do meu profundo
Achando que vale
Crer , sonhar
Rebolar. Rebolar. Rebolar
Cair no chão
Chorar
Reclamar
Sonhar de novo
E depois dançar
Me perder na pista
Comemorar o sonho que vira vida
Fazendo a roda girar
Vibrar...
Lá vem a vida básica ensaboando meu chão
Escorreguei. Acordei,
Foi o despertador programado para gritar
Dar um escândalo
“chega dessa vida básica”
Minha voz tenta sair
Como num sussurro infeliz
Pós - sonho
Pré -levantar
Pra onde esse som desse aparelhinho alto demais vai me levar?
Todo mundo sabe o ritmo
De cor e salteado
Da coreografia
E ai me chamam de pé duro...
Não consigo... Não me encaixo...
Acho que a vida me obrigou a encontrar minha autenticidade
Porque ... eu confesso:
já tentei seguir a dança desse escandalizador matinal
chorei
passei mal
Mas hoje?
To feliz até quando estou triste de não ser assim
Básica
Banal
Não sei ser previsível
Nem mesmo pra mim
Data pra ser
Hora pra acontecer
Estilo
“ ser feliz , dançar , beber , me acabar ...porque somos jovens..porque é carnaval”
E eu com isso, afinal...?
Apago a luz.
Acendo uma vela
Dou trela pra ela
Que me resume
Ta na estante perto da janela
Um livro dos prazeres
Só clarice pra me abastecer desse constante “ser ou não ser”
E lá tem a pergunta
“o que consideramos a vitória nossa de cada dia?”
Definiu
O que tanta palavra esparramada
Queria explicar
Transmitir
Transbordar
Respondo – a mim-
Num diálogo lúdico atemporal
“ a minha vitória é ser assim”
Criadora de mim
Do meu tempo
Do meu senso
Do meu universo
Flor
Saia rodada
Camafeu
All star colorido
Bolsa antiga
Paetê
Bordado
Camiseta branca
Tudo misturado
Clássica , básica, barroca, romântica , modernex , contemporânea , clichê
Não existe estilo definido pra mim
Sou tudo ao mesmo tempo
Ou nada o tempo inteiro
Sou o que me permito ser.
...
Será que é por isso que sempre acordo atrasada?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

a espera é ativa ou passiva?


Esperar - do latim sperare. 1. ter esperança em;contar com. 2. estar ou ficar a espera de, aguardar. 3. supor , conjeturar, pressumir, imaginar. 4. ter esperança em, contar com a realização e ( coisa desejada ou prometida ). 5. estar reservado ou destinado a. 6. aguardar em emboscada.7. contar, obter.8.ter fé, confiar.9.ter esperança, contar com a realização ( de coisa desejada).10. estar na expectativa.

o vestido inventário trabalha  em cima de histórias de espera,um inventário de esperas, expectativas, imaginações, esperanças,destinos. Que esperas vestem um indivíduo? O que está por trás do que se espera.
esperar é uma ação passiva ou ativa.
O vestido inventário é um processo que investiga essas esperas que mantêm as pessoas vivas - ou em movimento de clausura ou de libertação.
Um texto , trecho, depoimento que ganha autonomia para se transformar em um objeto-vestido autônomo , que fale por si e se desconecte da palavra, mesmo surgindo a partir dela.

O vestido acima foi feito a partir do texto abaixo

menina sem século - trecho sobre a espera


Ela queria saber ser. Só SER. Tudo que está dentro dela colocar para fora. Ser com nitidez. Para manter comportamento natural tem mantido qualquer excesso aparentemente sob controle . Ansiedade. É meio absurdo brincar com pensamentos justamente nesta tarde . Justamente quando ele lhe prometera o maior dia do mundo e justamente pelo medo de que nada possa acontecer, simplesmente pela ausência do que espera. Sempre que lhe acontecem coisas interessantes ela intercala com pensamentos fúteis e despropositados. Ela está ali, espera, disfarçadamente sozinha, fingindo estar perfeitamente normal. Ela está cansada de ser ela. de todo dia ser um pouco. cansada de ser tanto. Acha chato e chega a exaustão . Sera que a vida é isso? Ou ela é isso? Espera por esse dia já no presente como se esperasse seu crescimento, uma mudança pela qual cansou de esperar. Espera ele como espera uma grande proposta de trabalho, um telefonema com uma notícia absurda e reveladora, uma ação alheia que mude o rumo do controle cotidiano, uma campainha tocando e seu vizinho lhe dando a melhor noticia do mundo. A que sempre quis, que nunca acreditou que fosse acontecer e muito menos que fosse ouvir da boca do vizinho. Porque se acontecer é bom demais para ser verdade, é muita mudança que não cabe na cadeirinha que ela está sentada, é tão bom que não faz nem sentido (e ela ainda carece de sentido para tudo). Espera como se fosse acordar  e olhar no espelho tudo que sempre quis, como se acordasse de um sonho profundo e reparasse que  vida é sonho e a palavra acordar não existe mais. É aí que ela se sente tão pouco.Sente que falta pra ser.Se sente um plano. Alguma coisa que está se fazendo, que está prestes a acontecer ou que pode ser nunca.Falta apenas um minuto para o amadurecimento ou milênios para alcançá-lo?Respira com dificuldade . Ela vive aliando calma e ação, esperança e compulsão. Ela é Vulcão.
Está sendo todo dia um pouco para um dia ser inteira?
Tudo que ela vive é escolha? Às vezes acha que não é escolha, que é tudo a gente mesmo. Tudo dentro de nós que sai pra fora . Somos isso ou não somos. Fazemos o que somos ou somos infiéis e não conseguimos justamente ser. Leva adiante, num ritmo constante, morrer e nascer para se permitir ser. o tempo inteiro. o tempo todo "faço, renaço recomeço despeço traço apago alinho finalizo e desfaço. recomeço. agora. Sou ainda sou", repete como mantra matinal.
Ela espera.Ainda não é o que espera por isso não tem o que espera? Não pode conter tudo em si que quer ter, mas se tudo que quer ter já é ela, então ela já não teme mais nada.
Mas o que faz ainda ela ali?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

desejo de hoje




procuro as especiarias de mim
ampliando meus poros , veias e afins
 ajusto as incoerências e impulsiono o vôo
vou encontrar a linha invisível
que faz o mundo estar presente
aqui
no batimento
na vista chuvosa do Rio de Dezembro
na palavra não  necessária
agora
quando meu ambiente transborda
o que os olhos
são

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

inside


Na mesa ao lado
Um bule de louça rendada
Branco e dourado
Duas xícaras
Uma com chá
De Frutas vermelhas e canela
A outra
Rachada
Na cama desarrumada
O lençol
Branco
A colcha de pena de ganso
Os travesseiros com o cheiro de ametista
E uma saudade adormecida
O quarto carregando tardes longas de inverno interrompidas
Céu rosado
Um quadrinho pendurado
Na parede a esquerda
Um rabisco de um sentimento não catalogado
Na janela cor de Lua
A moça vagalume
Acende e apaga
Disfarça-se com o vento
Confidencia
O que não entende
Enquanto experimenta mastigar
lentamente
O pão doce e quente
E a ansiedade de todo dia

a verdade é que

aquilo que sente
nunca sacia.


segunda-feira, 20 de julho de 2009

presentes na mala para uma saudade inventada -



Uma carta para ser lida em janeiro de 2012 num café na rua em qualquer lugar do mundo que ele ache que tenha a minha cara.

Um vinho tinto para ser tomado no dia do nascimento de algo muito desejado que eu nunca soube ou não tenha tido tempo de desejar junto.

Um cd para ouvir sozinho na terceira noite de inverno que ele se sinta longe de onde queria estar. (se souber onde – se não, é recomendável esperar a próxima estação)

Um livro dos prazeres grifado e com um segredo na página seguinte do meu trecho preferido.

Um baralho da minha infância na grama faltando todas as cartas de copas exeto a dama.

Uma foto picotadacom alfabeto no verso, guardada numa caixinha de fósforos, pra montar no mural num dia de frio em que ele tenha perdido a hora .

Um relógio que só tenha o ponteiro de segundos, levemente entortado , que ande pra esquerda e que só poderá ser encontrado após ler o segredo. (do livro?)



Uma camiseta qualquer que soe como um presente de despedida qualquer – mas que carregasse o desejo futil e inútil que eu tive de ver ele vestido como eu gosto.


Um vestido bordado com 365 etiquetas no forro com frases ou imagens do meu cotidiano - para serem apreciadas todos os dias as 13:31 – horário que abro os olhos de verdade.

Uma verdade costurada no travesseiro que só se revelará mentira quando a carta for lida em 2012.







terça-feira, 14 de julho de 2009

no dia certo de ir embora
durante aquele período pós sono
mais que meio dia
que ela chamava de minha manhã
ela preparou um café forte
adoçou com dois cubos de chocolate belga
e colocou na xícara única
de rosas vermelhas
tomou aquele café doce
de uma vez
como se engolisse seu desespero quente pra acordar
a palavra ir trazia suores
tremores inesperados
contato com o que não tem nome
e um objeto qualquer ao alcance
quebrado
ir te leva daqui?
ela pergunta
com vergonha de acordar
lambendo os dedos de chocolate
aquele
que ficou grudado
na xícara
única
de rosas vermelhas

quarta-feira, 8 de julho de 2009




E agora o cansaço,
o jantar quase à mesa
a estranheza de lembrar a palavra tempo
e das noites de névoa quando ela não trazia significado
minhas imagens rasuradas
a lua cheia nascendo do outro lado da janela
projetos descritivos do que pretendeu ser
cheiro de batata com alecrim vindo da cozinha
a casa quentinha

uma segunda-feira por acaso
os esqueletos de dois amantes que não se encontraram
fósseis de sentimentos a curto prazo

cheiro de âmbar, cama branca
banho tomado e longe da hora que é de dormir
um pouco conjugada fora do tempo
e se fosse o que não é?
um presente abandonado
sobra sim
um escaninho apertado da minha memória
uma pequena festinha mórbida
pra você
que de vez em quando deixo
protagonizar a minha lembrança





terça-feira, 30 de junho de 2009

viagem em slow motion



veio de longe
mandou uma imagem bonita
um rio gelado
uma cidadezinha que canta
disfarçada entre as montanhas nevadas
uma ponte pequena
e uma escada de jardim
jogada

a menina enraizada com cara de forasteira
encantada com palavras enviadas
na madrugada pseudo fria
desse ainda rio de janeiro

ele procurando território que abasteça
e a certeza de ser no aqui onde deva ficar

ela desenhando firmes fronteiras
com giz
para que algum alguém apague
e encontre um país.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

sinto logo existe


Nesse momento
Apaixonada por alguém que eu nem conheço
Morando num país que nunca visitei
Dormindo numa casa que ainda não construí
Formada num curso qualquer que ainda nem entrei
Trabalhando incansavelmente num projeto que ainda nem imaginei
Pensando numa idéia que ainda nem passou pela minha cabeça
Comendo um doce que ainda não conheço o gosto
Nesse momento
Vivendo o que ainda nem senti
Sentindo o que ainda não vivi
E a vida sendo isso
espaço necessário sendo criado

respiro

sexta-feira, 10 de abril de 2009

dúvida

quem inventou a palavra conclusão?
essa palavra existe?

passou da conta

o vinho pergunta
e eu respondo

o que é impaciência?
é ter vivido a paciência demais.
DEMAIS.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

encontrando chão

dias que a vida aquieta
dias que a vida levanta tanta emoção
nas incoerências e imperfeições do que chamam de cotidiano
minha imagem refletida
quero sempre saber o que está por trás do coração que bate
da palavra escapulida
da pressão baixa
da dose única de cachaça que sobe demais

do metrô lotado
do pensamento que ativa a circulação
das perguntas prolixas
e ali

minha imagem refletida
meu espelho rosado antigo
em frente a minha cama tão branca
sou pôr cor do sol
sol nascer do sou
todo dia
sou morte e vida a cada instante
madrugada livre pra estar viva


e no exercício de ser destemida de mim
desembaço a imagem refletida
aqui agora o silêncio é
e posso ouvi-lo

aqui ...
minha nudez refletida
é madrugada e é quase meio dia

não quero mais aquela música repetida
prefiro aqui
eu e minhas perguntas não respondidas
meus quartos fechados
o escuro tem perfume
invencionice
e essa brisa com cheiro bom
as rosas coloridas
meus olhos estão

segunda-feira, 30 de março de 2009

Diário.


Fui dormir relendo trechos dos livros mais especiais da minha cabeceira.
Aqueles trechos grifados com lápis, com exclamações, estrelinhas definindo minha emoção da primeira, ou da segunda, ou da quinta vez que lia (mas sempre como se fosse a primeira vez) aqueles trechos todos...
Fui dormir com muitas imagens na mente. Difícil apagar.sair do teatro.fechar os olhos e relaxar, quando a cabeça e o coração bombardeiam de perguntas que hoje de fato ainda não posso me dar.

No problem.Tout va bien!
Vivo as perguntas.
Lembrei do Rilke.
"o senhor é tão moço, tão aquém de todo começar, que lhe rogo, como melhor posso, ter paciência com tudo o que há para resolver em seu coração e procurar amar as próprias perguntas como quartos fechados ou livros escritos num idioma muito estrangeiro. Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas, por que não as poderia viver. Pois trata precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. talvez depois, aos poucos, viva as respostas. Quiçá carregue em si a possibilidade de criar e moldar- como uma maneira de ser particularmente feliz e pura. Eduque-se para isto,e aceite o que vier com esta confiança."

Lembrei de uma frase que diz que - existem duas coisas importantes na vida: a primeira, conseguir o que se quer , e depois desfrutar isso. Só os mais capazes podem alcançar a segunda.

Nossa como isso é real.COMO!!!!
E por fim lembrei do filme Janela da Alma , do depoimento do Win Wenders , do Saramago...do Hermeto Paschoal.

O mundo está cheio de coisas horríveis para ver, diz Hermeto Paschoal no filme, o que o faz desejoso de estar cego temporariamente, porque o sentido atrapalha "a visão certa";
Saramago acredita que vivemos nas cavernas de Platão, tomando sombras por realidade.
Vemos coisas demais, temos coisas demais, por isso nada vemos ou temos, diz o cineasta Wim Wenders.
Wenders lembra também por que os filmes de John Ford o fascinavam quando pequeno. Para ele Ford deixava grandes espaços entre as cenas, o que lhe permitia viajar dentro das imagens e, o mais importante, imaginá-las. Os quadros e paisagens de Ford jamais limitaram o olhar.

É assim que desejo a arte, a vida, o amor, a humanidade e as mais diversas relações em todas as áreas possíveis.
Continuo sempre no exercício de não limitar meu olhar, de lapidar a mim mesma para criar a realidade, de contemplar o outro , as solidões de cada um e de amar e viver com confiança todas as minhas perguntas....
sei que ainda viverei as respostas e elas trarão consigo mais mil novas perguntas.
faço e danço essa música.









segunda-feira, 23 de março de 2009

tem dias que.

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Hoje cuido das sementes que se descobrem férteis em mim.Me abraço para dar aconchego ao crescimento que quero ver aqui de dentro.Faço chuva durante a última madrugada de verão e desejo ouvindo o vento abrindo o tempo, que todos meus bons conselhos aos outros tornem-se nascimento também em mim. Hoje faço do meu agora o melhor terreno pro crescimento que quero viver.

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Hoje ela me contou como foi quando a casa em que ela nasceu, morreu.

E eu imaginei o que deve sentir uma pessoa que cresceu vivendo em uma casa só. O que fazer quando é preciso ir embora de vez? Quando o pra sempre ou o nunca mais existe de vez.
Vê-la pela última manhã pintada com tinta, que já um outro escolheu. A sala vazia. A cozinha agora só com azulejos. Penso no tchau, ainda deitada na cama antiga, para a vista do quarto que viu claramente os dias mais escuros, para as paredes gastas, confidentes dos choros abafados, das felicidades tão cuidadas,da bagunça disfarçada,da ordem simulada ,do amor gritado e do emudecido.A república independente que era aquele quarto.
Imagino o que deve ser andar pela rua que decifrava cada linha dos pés descalços, e que agora não é mais caminho de volta. Comprar o pão quentinho da padaria amiga e levar pra outro canto, abraçar o jornaleiro que sempre a viu como criança e ler o segundo caderno sem o sol da varanda, daquela varanda.

"Agora existe uma casa nova . Sem espaço pra você. A vida tratou de encaixotar suas coisas."

Hoje também percebo quantas casas morrem dentro de mim. Estou de mudança, o caminhão carrega somente as caixas que ainda me servem, as outras, inúteis, foram devidamente, destruídas.
Não há mais espaço para o que eu costumava ser.É preciso mesmo
amadurecer sem perder energia, vitalidade , o frescor e a liberdade de ser.
Entro devagar pela nova sala vazia , clara, sol de meio dia. Como é bom enxergar que tudo que não me cabe mais é também esterco pra nascer mais vida.





segunda-feira, 16 de março de 2009

D-on J-uan

Don Juan era habituado e versado em fugas. No mundo em pânico, sentia-se em casa.
Se houvesse algum mundo seu, era esse.
...da fuga como uma forma de ganhar tempo ?
...a cada dia estivera numa região diferente do mundo…


Todos super convidados! Don Juan DJ

Primeira temporada até dia 4 de Abril no SESC COPACABANA - SALA MULTIUSO

SEXTAS E SÁBADOS - 20 HS

DOMINGOS - 19 HS
R$ 10,00 inteira R$5,00 meia


Don Juan como um tubarão , o maior predador do mar, que precisa estar sempre em movimento. Se parar, morre.
Don Juan um grande encenador.
Don Juan um DJ , que manipula as pessoas na pista de dança.
Don Juan e sua eterna fuga.
Uma montagem infiel como o próprio personagem.
A idéia do trabalho é ser infiel à peça de Molière, utilizando diversas referências autorais. A maneira como Don Juan manipula as pessoas serve de base para a linguagem da encenação.O clima é de circo, de cabaré,de miniaturas contando as constantes viagens desse DJ ao redor do mundo .
Um grande jogo, suas peças e por trás um homem com o peso da solidão e da falta de um contato real com o mundo e consigo mesmo.

domingo, 1 de março de 2009

um desabafo qualquer


Quero romper as fronteiras desse território
Quero meu eu expandido na melhor coerência e loucura impossível
Quero sair dessa linha imaginária que segura a decolagem
Quero ser pássaro e brincar com as diversidades de pouso
Quero sentir o muito de tantos lugares que sonho
Quero a ousadia do sol que nasce e morre todos os dias e não deixa de estar ali
Quero meu vôo livre
Quero a crença forte, o estar e o sentir.
Nunca desejei tanto outros lugares, olhar pela primeira vez, desaprender, apreciar a diversidade sem despertador, ser verão inesperado, sentir meu coração harpa-violino-arcodeon-gaita-bandolin dancing around the world e ouvindo nas horas de recreio a última estrofe da música-que não me deixa esquecer- a vida é mesmo agora.
E non lasciare andare un giorno per ritovar te stesso perché la vita è adesso
E não deixes passar um dia Para descobrir a ti mesmo Porque a vida é agora.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

sem sentido


O chão colorido
Minha pele encharcada de suor
âmbar
E o sangue quente adocicado com caipirinha de limão
peruca desfiada roxa reforçando meu ultimamente
personagem destemida de mim mesma
meia calça rasgada no vestido curto com lantejoulas pretas
A vida é doce de multidão confeitada sob o sol de verão
Meio dia(milagre) já bem acordada
A estátua no meio da praça-ponto de encontro de ninguém
Exercício para olhar além
estou aqui “primeiro de março com sete de setembro”
O tamborim avisou
A caixa estourada
instrumentos de sopro desafinados

Cadê teu ar trazendo música e vento?
nesse instante meu som ficou entorpecido
mesmo com meu constante repique e agogô
a língua afiada,brincalhona dá logo um jeito nesse pit stop mental
dessa vez não estou inventando fora de época( ufa)
é mesmo carnaval.






segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

pra não passar em branco


Intenção vem de intenso?
Intensa ação?
Querer muito?
Querer profundo?
Diante de toda essa luta contra o tempo, quero confiar.
Ser minha guia, ser auto-estrada, ser decisão diante de qualquer bifurcação.Preciso de todos movimentos em conexão.
Estou confusa. Se a palavra de ordem é ação,hoje não encontro meu verbo forte, não sei mais em que tempo conjugar o querer.Cadê a nitidez de ontem, chega desse pique-esconde dos meus reais desejos. Já contei até cem!!!Minha meta é urgente.Vamos brincar de outra coisa? Stop.Não!
Vou escrever um novo parágrafo onde não entrará artigo indefinido.
e tomar xarope de discernimento
Igual da Mary Poppins - com magia
com livre arbítrio pra inventar sabor
ou se é verde , vermelho , incolor
música de fundo eu também gosto( aí não deve ser da Julie Andrews)
crio todo o clima
me olho no espelho
e?
O que quero é mesmo intenso?
É desejo profundo?
Vem do meu centro?
Cadê minha bússola pessoal?

enquanto não encontro me divirto nos ventos que me levam

leve leve leve..............

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Ultimamente meu tema não tem variado
Eu continuo andando rápido
Eu escrevo à lápis mas não uso borracha
Eu gosto da luz do dia se despedindo
Eu como antes de deitar
Eu durmo na hora de levantar

Eu acordo pra trabalhar
Eu penso onde tudo que tem sido vai dar
Eu não tenho mais dor que inspirava (não quero de volta, obrigada)
Eu mudo o percurso pela cisma de transformar
Eu começo a ouvir o que vem do meu interior
Eu transformo salada de alface em batata quente e recheada
Eu aprecio música arranhada
Eu estou mais declarada
Eu preciso de conto de fadas,de céu na terra (firme)
Eu vejo a vida de Lua cheia
Eu levo a ansiedade como uma constante
Eu dispenso a equação torturante
Eu persisto nas mesmas palavras pelo prazer do re-significar
Eu amplio meu olhar
Eu paro diante de alguns horizontes
Eu procuro uma fonte de inspiração
Eu torturo as minhas escolhas nas madrugadas não avisadas
Eu danço a música do meu coração
Eu anseio hoje pela variação do meu ultimamente
mas sigo ainda meu tema com convicção



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ângela da tarde



A tarde caía fria, depois de dois dias de intenso verão. Ângela acordara estranha, com certa sofreguidão, incomum, no estômago. Sentia que dentro dela era um bater de asas trepidantes. Aproximou-se da janela, num misto de ação instintiva com expectativa. Podia surpreender-se com algo novo na vista de seu quarto, com alguma mudança, mesmo que sutil, naquela vista tão constante. Vento de fim de tarde, as folhas das árvores balançando e os milhares de tons de verde, tão diversos que resultavam mais do que a soma de todas as outras cores que se tem conhecimento.
Ela está ali.Fica por um instante imóvel,estática. Instante esse que parece durar mais do que o sono que tinha dormido na noite anterior. Caminha até a sala. Vai em direção a geladeira,na cozinha apertada quase dentro da sala, de onde ela ainda vê a janela. Abre a porta daquele refrigerador vermelho gelado. Come queijo, desejando saciar a vontade de comer o resto de pavê que tinha no congelador. Senta-se no sofá. Disfarça a gula não preenchida e procura não ficar muito confortável pra não adormecer. Um frio estranho na espinha. Quer fazer algo. Quer tanto fazer. E o tempo ali parado. Inquieta-se. Rapidamente passa a consultar sua agenda mental, pensando em quem poderia ligar e combinar um programa de começo de noite.Tinha suas preferências, é claro. Preferiu não ceder à escolha ou ao pretenso desejo que despontava. Opta em esperar. Uma ligação quem sabe? Não tinha força pra ser mais do que já estava ali sendo. Ângela vê-se ali, novamente, vivendo um instante similar as 24hs mal dormidas. Já cogitou sim ir caminhar em direção ao arpoador com um cachecol e se deitar nas pedras sentindo a brisa, fria. Vetou a vontade. Perda de tempo. Hora de fazer algo útil. Produtivo. E o que poderia fazer? Não se lembra mais. Espera o tempo andar. E o presente ficando mofado. Quer que seja rápido. Agora deseja, e deseja ardentemente, o fim do dia para acordar novamente em outro. Quer o escuro. Vida em sonho, corpo desarmado. Quem sabe surgiria alguma coisa amanhã? É bastante possível até abrir a geladeira e alguém ter comido o pavê, o qual ela relutava em ceder.
O telefone poderia tocar , ela podia cantarolar uma música qualquer, ter vontade de varrer a casa como quem faz faxina na própria vida , pra se auto-convencer. Ou não, ou o telefone simplesmente tocaria mas Ângela já estaria de saída para beber um coco gelado no calçadão.
Esperou.
Amanheceu.
Amanheceu hoje.
Amanheceu ontem.
Amanhece todo dia.
E tantos outros novos dias.
Ela aproveitava pra olhar a vista do quarto e por um segundo sentia que poderia ser feliz se houvesse mudanças.
Debruçou-se na janela. As árvores multi-esverdeadas não tinham mais folhas. A tarde já não era mais fria.Também,vento, não tinha mais. O telefone começava agora com outro número.
Ângela está ali na janela. Não cedeu ao pavê frio no congelador. Ângela permanece. Ela é a mesma? Um segundo que não passou (será que o tempo realmente passa?). Instantes em fuga no viaduto próximo daquela casa. Tudo isso é vida condensada? Sonho ou realidade. Os olhos piscam, escuro e claro, ciclo vida-morte-vida alimentando toda a humanidade. Ângela está ali, parada.


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