segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

domingo, 21 de dezembro de 2008

bonequinha "atemporânea"



boneca de pano.vassalisa.a boneca de bolso que é intuição. bonequinha inventário.carrega consigo o tempo,os séculos, os vestígios , as marcas,as imagens ,os caminhos, as possibilidades, as estações,os resquícios,os objetos ...
com ela tudo que passa, fica.
ela é tudo que vive


Noite.gente. muita gente. barulho de copos misturado com a música alta. ela com suas sandálias vinho , muito lápis de olho preto , comendo morangos na taça.
Ela : “I need a fix 'cause I'm going down ...down to the bits that I left uptown … como era?...I need.... ai need o quê mesmo? I need...I need a fix cause I'm going down. Isso!!! Mother Superior jump the gun. Juuuuump the gun...Esta época do ano fico tão mais fraca pra bebida, não posso me esquecer disso. Ok. Lembrar na quinta caipirinha já não faz mais diferença. Eu sei. Moço, toca aquela música que ...calma..eu só lembro de uma parte..é assim.. ai,calma, passou rapidinho na mente, é “.....”, gente, como é que eu fui me esquecer de Beatles?...moço é Beatles, aquele álbum branco..é. ah sempre é horrível pedir pro DJ música. Não vou mais pedir. Porque aquele cara ali fora está me olhando? vai me pedir fogo.sempre.Porque eu não olho? Nunca consigo olhar de volta. Meus olhos... se não disfarço, me entregam. Cadê o menino da... Não , não venha me chamar pra dançar, não quero. Caaalma, é só dizer : não quero. Não acredito! É ele. Ele chegou, tinha certeza que ele vinha. Tá, não vi, vou fingir que não vi, qualquer coisa justifico que estou ficando míope. Não, não justifico nada, não vi e ponto. Ele é que tem que vir falar comigo. É estranho encontrar depois de tanto tempo. Queria saber mais como está tudo. E esse frio na barriga? Gente porque estou aqui parada? Esperando? Esperando o que? E o cara que foi ao banheiro e não volta? Mas eu não estou esperando ele. Aliás porque eu estou pensando nele? Aquela calça escorregando , a cachaça na mão , a pálpebra caindo , mas tinha um olhar que dizi....quantos minutos já se passaram? Segundos ou milênios? Disfarço. Riso frouxo. É noite, e vem com a desculpa perfeita pra fingir que está tudo bem. Estou feliz. Ai, ele tá se aproximando , que frio na barriga.E ai tudo bem, o que você anda fazendo? tanta coisa....estou bem. E você?....nossa, você tá aqui já faz tempo? Para de ensaiar o que você vai falar. Nem quero falar com ele . Cadê aquele moço que ia pedir fogo? “The man in the crowd with the multicoloured mirrors.. On his hobnail boots ...Lying with his eyes while his hands are busyWorking overtime” O nome da música , ai ...Vou lá fora. Pessoas, pessoas, pessoas . Nos fingimos de outros ou somos todos os mesmos. De novo. Estou distante. Volta, volta. Um pontinho, estou solta .Não. Não posso estar solta porque estou em união com tudo. Esse discurso repetitivo na minha cabeça. “Todo mundo sorrindo se sentindo a vontade“, quem falou isso? O moço do banheiro. Aliás até agora no banheiro?
Às vezes quando tem muita gente é quando eu me sinto mais sozinha. Eu já tô em outro mundo. Ei , volta, volta.Aqui, agora. Tudo amplo, minha vista aérea, ficou tudo tão distante e tão claro, olha os pontinhos lá embaixo. Queria mergulhar nua nesse mar. Agora. rasgar o vestido, a maquiagem borrada, acho lindo maquiagem borrada , ou então parar o som e começar a cantar do alto das minhas sandálias vinho e do meu vestido rodado escarlate: "She's not a girl who misses much Do do do do do do do do" Do que essas pessoas falam tanto? Às vezes dá um enjoamento de tudo isso. Ih, o calça caindo saiu do banheiro com seu copo de cachaça ... deixa pra lá. To gostando do moço do fogo. Aqui fora tá melhor. Mas...
Ele - Ei.
O frio na barriga agora? mas e o moço do fogo cadê? oi e aí o que anda fazendo? Saudade de você. Não seja muito simpática.Para de ser boba, você que não foi legal com ele. O Obama ganhou né? Fiquei até com vontade de morar nos EUA. Que besteira. Tá gostando daqui? Ia pedir a música aquela..lembra o nome pra mim... dos Beatles que eu vivia ouvindo naquele ano? Te beijo. Vi você chegando mas tinha muita gente na frente, por isso que não falei nada. Se eu não escondo meus olhos me vêem...não quero dizer nada. Há quanto tempo estou em silêncio...eu..
Ele- She's not a girl who misses much Do do do do do do do do She's well acquainted with the touch of the velvet hand Like a lizard on a window pane..
Ela- Happiness is a warm gun…Happiness is a warm gun..bang bang bang... happiness..yeah yeah...

domingo, 14 de dezembro de 2008

E de repente um choro sem muito significado
o vinho deixando tudo alterado
a percepção enganada
a lágrima engasgada
na juke box o rock daquela juventude descabelada
tinha vento e tinha calma
hoje não sei de nada
sobre o pouco do que se sente
fica uma pergunta
reticências com som de máquina
sentimentos não catalogados
amor dividido

tudo o que foi e que ainda permanece
o beijo mandado várias vezes pro amor do passado
"não esquece por favor, ele não sabe mas é o meu primeiro amor"
o cara do lado nervoso com a vodka na mão
o apaixonado que só olha de rabo de olho

e o medo dele de ser precipitado
tantas atitudes e pensamentos inacabados
enquanto isso
pra você que está do lado
te peço um trago
e um gole dessa bebida

fria
é que to estancando a ferida
que eu nem sei da onde vem
aqui, meu bem
sangra vermelho
de vez em quando

e sem medida
dia sim dia não
fica um choro entalado
que num sorriso logo disfarço
não acho a fonte dessa água
que não deságua e nem seca de vez
acho que ficou lá atrás no eu te amo mal dado
no beijo roubado por outro

no fim de alguma coisa que se construía
a justificativa ficou perdida
mas hoje de repente volta alguma coisa

e o que sobra é a espera do quem sabe um dia...



quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

E naquele instante tudo ficou breve. Respirou profundamente, deixou o ar entrar e sair bem devargazinho como se prendesse a vida ,a segurasse por muitos segundos durante um segundo. Tinha mania de controlar. A mãe perguntou se era mais fácil inspirar ou expirar, rapidamente ela respondeu expirar, depois se corrigiu – não...acho que é inspirar. Falou baixinho sentindo o ar que entrava, fresco e duradouro. O expirado tão mais curto, rápido, jogado fora. O que você tem dado a vida? Ouviu ou pensou, não sei. Passou.
A vontade de agarrar a vida como um passarinho fazia dela mesma presa fácil de tudo que estava ali presente pra ser vivido. Era difícil ser ela.
Olhou as folhas cheias de sombra do sol, bem ali de fora da janela aberta.E era isso que elas, as folhas, generosamente lhe falavam, do dia ensolarado, da brisa gelada daquela tarde com horário de verão , do céu azul sem nenhuma nuvem , da pulsação em ritmo de coração no eixo. Era a vida lhe prometendo uma sinfonia e exigindo de mansinho, cheia de sorrisos , mais atenção. E foi ali cara a cara com a vida ensolarada que se deparou com a pergunta - o que tinha pra dizer?
( )
Precisava parar de olhar a janela porque tinha que terminar de fazer alguma coisa que se propôs horas antes.
Doía não conseguir trocar palavras com as folhinhas verde e amarelas de Sol.
Prometeu que iria sorrir mais...e se permitir viver mais tudo que estava ali gritando,escancarado, crescendo. Anotou no caderno , com data grifada dando início a resolução. Dar stop naquela mania de ter mil coisas pra fazer, aproveitar mais o estar parada. Mas estava ali e naquele "pensa pensa pensa em tudo que tinha de ser feito". STOP.
Ligou o som para ouvir a música que a fazia sentir-se muito ela.
Acordeom e algum instrumento que faz som de bola de sabão estourando. E por dentro também estourava.
E essa brevidade da vida? tão clichê, tão já dito, mas de repente ela ali “tão novinha” como gostam de dizer, e sentia tudo indo embora. Ela pesada, ela trem percorrendo o trilho apressado . O que fazer com o futuro de ontem? É hoje.
Pensou na cachorrinha que estava ali dormindo e de como ela nunca parou pra pensar no dia que ela não estiver mais ali , que poderia ter levado ela mais vezes pra correr no sol e ver o labrador que late na esquina. Ei, mas péraí...ainda pode;
Pensou no tudo que ela deixa pra depois porque existem tantos amanhãs e vai dar tempo, vai. E lembrava que daria tempo mesmo.
Pensou no dia que os corações que estavam em volta dela parassem de bater. porque iriam uma hora descansar.
Pensou no quanto ela vive com a certeza do pra sempre .E foi assim com os grandes amores que ela deixou, com os que duraram um frisson , com os que foram embora de repente, triste porque ela sempre acreditava, e acredita que é pra vida inteira.
E se via ali, ela como vida inteira.
Pensou na dor que passou e na hora que doía porque ela não falava nada, desconsiderou .
Pensou nela com 15 anos apaixonada por um menino de verde e que hoje ela adoraria contar pra ele que a única vez que escreveu um diário foi todo pra ele.
Pensou que se hoje ela pensava assim de ontem , daqui uns anos o que ela não estaria pensando de hoje?
Pensou que tem tanta praia que ela não vai, tanta tarde a toa que ela se culpa porque ela pode ficar sem nada pra fazer.
Pediu desculpa pras folhinhas. Dava tempo de começar. Hoje de novo, pela primeira vez. Gritou sem fazer barulho.Óuviu dentro dela as bolas desabão estourando. 1 2 3 e já.
Assim a vida breve estendeu seu tapete vermelho e a recebeu.
O céu agora está azul e a menina sorri . Tudo o que passou sempre é. Ela é tanto; ela é tudo , ela é sempre. Pra sempre.
1, 2 , 3 e já.

Vida Básica

essa não é de hoje mas continua servindo agora .
Tô cansada dessa vida básica
Hora ajustada para acontecer
Despertador marcado com antecedência
Gritando “ ação”
“Eu não!”
respondo
...sonada
Falo de novo
“Chega dessa vida básica”
O pretinho clássico é justo demais
Incomoda
Restringe meu rebolado
Me deixa sem gingado
Não mantenho a pose de salto alto
Tropeço de cara
E me sobra um joelho ralado
Pra cair só se for fora desse esquema armado
Pessoas estilo supermercado
ação pelo dinheiro
compro – como- bebo
falta de tempo
Sinônimo de atividade
“estou fazendo e acontecendo ...”
“com licença não dá pra falar com você agora : encontrei a felicidade”
É ..pensar no mundo ta fora do prumo
Fiquei de fora
Na procura incessante do meu rumo
Do meu profundo
Achando que vale
Crer , sonhar
Rebolar. Rebolar. Rebolar
Cair no chão
Chorar
Reclamar
Sonhar de novo
E depois dançar
Me perder na pista
Comemorar o sonho que vira vida
Fazendo a roda girar
Vibrar...
Lá vem a vida básica ensaboando meu chão
Escorreguei. Acordei,
Foi o despertador programado para gritar
Dar um escândalo
“chega dessa vida básica”
Minha voz tenta sair
Como num sussurro infeliz
Pós - sonho
Pré -levantar
Pra onde esse som desse aparelhinho alto demais vai me levar?
Todo mundo sabe o ritmo
De cor e salteado
Da coreografia
E ai me chamam de pé duro...
Não consigo... Não me encaixo...
Acho que a vida me obrigou a encontrar minha autenticidade
Porque ... eu confesso:
já tentei seguir a dança desse escandalizador matinal
chorei
passei mal
Mas hoje?
To feliz até quando estou triste de não ser assim
Básica
Banal
Não sei ser previsível
Nem mesmo pra mim
Data pra ser
Hora pra acontecer
Estilo
“ ser feliz , dançar , beber , me acabar ...porque somos jovens..porque é carnaval”
E eu com isso, afinal...?
Apago a luz.
Acendo uma vela
Dou trela pra ela
Que me resume
Ta na estante perto da janela
Um livro dos prazeres
Só clarice pra me abastecer desse constante “ser ou não ser”
E lá tem a pergunta
“o que consideramos a vitória nossa de cada dia?”
Definiu
O que tanta palavra esparramada
Queria explicar
Transmitir
Transbordar
Respondo – a mim-
Num diálogo lúdico atemporal
“ a minha vitória é ser assim”
Criadora de mim
Do meu tempo
Do meu senso
Do meu universo
Flor
Saia rodada
Camafeu
All star colorido
Bolsa antiga
Paetê
Bordado
Camiseta branca
Tudo misturado
Clássica , básica, barroca, romântica , modernex , contemporânea , clichê
Não existe estilo definido pra mim
Sou tudo ao mesmo tempo
Ou nada o tempo inteiro
Sou o que me permito ser.
..
Será que é por isso que sempre acordo atrasada?











segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

miudinho

Finalmente se encontraram de novo
Até então era adedanha
Zerinho um
Sorte lançada ao mar
Raro encontrar
O sorriso de canto de boca
O olhar pequenininho que chamava atenção
Ela mulherão
Das pernocas quentes
Ouvindo que era muita areia praquele caminhão
Menino perdido da infância
Cheio de lembrança da moça brincando em pleno verão
Correndo na grama, chapelão romântico, desbravando de selvagem o campo
Inventando emoção
Ele sentado na varanda aberta
Observando a menina de cabelo despenteado
E nenhum pouco discreta
Ele sempre bem tímido
Ela sabe de hoje porque não lembra de nada lá de longe
Menino dos olhos claros miudinhos...
Ela sempre achando que ele ta dormindo
Quando nem se conheciam moravam pertinho
Ah que desperdício pensou.
Da janela a vista pra amendoeira
e praquela sala do prédio ao lado
era só virar um pouquinho o olhar
atravessar a rua
ah...Menina despercebida ....
agora ela aqui ele lá

tudo resolvido
vale o trato pro bom tato.
Vamos brincar de vizinhos?
Vou deixar faltar açúcar e te chamar...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

pra onde vai?


tempo em rave´n´roll

Tempo pra mim é malandragem
Invenção
brincadeira boba
Sacanagem
Invenção do homem pra controlar a eternidade
Calcular tudo que que não tem contagem
apoiar-se em números pra existir
de ponteiro andando pra reagir?
O despertador avisa
É inicio da rave do tiquetaque
Os segundos vão primeiro
Os minutos resolvem ir ao banheiro
As horas dançam
Os dias se enfileiram
Esperando o bar abrir
E de overdose
Morre nossa dívida “24 horas”
a diva ultrapassada
Os meses estão revoltados
Encachaçados
Chega desse êxtase adoidado!
Tudo a jato
viagem sem escala, de janeiro já estou em dezembro.
E não adianta pegar trem
Porque ele também não pára mais em nenhuma estação
É inverno mas já chegou o verão
e o tom
Da pista dançante
Tecno-pop-eletronico-drog`roll -ritmo-frenetico-constante
E os anos defecam
Raves em vão
Indigestão dos segundos minutos horas semanas meses instantes
E a gente dá a descarga
Na grama fica o lixo
De quem nada notou
O que cresceu?
O que ficou?





domingo, 23 de novembro de 2008

la luna llena

daquela janela ali vê o infinito passar
pássaro cruzando o espaço
céu ensolarado
o acaso ao pé do ouvido encorajando
e a moça desbravando o mundo de allstar
é bonito a vida
de maneira tão sutil expandindo
pensa o Sol num de seus melhores sorrisos

na nuvem a saudade de quem ficou enfeitando o azul
a janela aberta lembra que o sol é o mesmo

em todos os continentes e dentro da gente
e a lua é sempre cheia

mesmo quando a sombra brinca de disfarçar
do escuro ela sai aos pouquinhos pra fazer faz de conta

ela é dia nascente
dormindo sob os corações coloridos
sonha com os dias indo e vindo
e na fotografias a tradução daquele olhar
sobre o infinito que passa
passa
passa

( e se a vida passa)
ela pássaro





sexta-feira, 21 de novembro de 2008

video

non stop to don't stop living...

Versão Ele ( acima): Time to start- Blue man Group

Versão Ela: sola, perduta, abbandonata - Mirella Freni

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Mais tarde a gente fala
Agora a gente (se) olha
gosto desse tipo de silêncio
preenchido
quero te ver
chega dessa coisa de se procurar no outro
não. eu não. eu quero ver você em você
escuta esse momento
essa é a minha pergunta e a minha resposta
nada de dois em um
um em dois
não gosto dessa redução
ser único é minha aventura preferida
mas aqui, a dois... é (mora o) infinito

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A esperança verde, miudinha, pousou na parede branca da sala.Escolheu ali,bem aquele lugarzinho iluminado perto da lâmpada âmbar marroquina, em companhia de uma oncinha de madeira , de mini vasinhos chineses e do desenho da luz na parede. Ela tava ali,disfarçada,lembrando àquela moça que andava meio pálida que sempre é bom ampliar o olhar, parar um instante que seja de buscar soluções (e problemas) sempre no seu próprio umbigo. Ela parou por um instante, observou aquela esperança, do tamanho que a dela estava nesse ultimamente, miudinha, em "fase de crescimento"(dizia seu lado mais otimista). Quando criança, lembrou, adorava esbarrar com essas esperanças verde-maça, esse inseto folha que traz sempre a promessa de um novo amanhã, um amanhã de inverno se transformando em primavera, a força da natureza se ocupando em dar novo rumo as coisas.Como pode por um instante, um micro bichinho encher tanto o coração de verde? É tá tudo verde, percebeu ela, fazendo já a partir daquele agora um novo amanhã. Ainda é noite pensou ela , já vendo com clareza o campo (antes seco) agora florescendo.
Clarice diz: Dependerá de nós chegarmos dificultosamente a ser o que realmente somos.Nós somos deuses em potencial, não falo de deuses no sentido divino.Devemos seguir a Natureza ,não esquecendo os momentos baixos,pois que a natureza é cíclica,é ritmo,é como um coração pulsando.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

mi solo tu solo - www.soloscoletivos.blogspot.com


Meu solo tem terra vermelha , sereno na grama e flor colorida. Tem calor de um carnaval à fantasia e ondas constantes de frio europeu.Meu solo é constelação, reflete o céu estrelado no corpo nu, no chão árido, na montanha enviesada e no rio sempre muito gelado. Tem bolinha de gás fazendo cosquinha , vaga-lumes hiper-ativos , arco-íris duplo de fim de tarde.Meu solo é quarto bagunçado, roupa pra tudo que é lado , trident armazenado , papel na gaveta , foto pendurada , caixas decoradas, uma poesia num cetim rasgado , alguns sonhos na fila de espera e outros realizados.Meu solo tem vela acessa , perfume de âmbar , temperatura interna 8 ou 80 , é vazio nas horas de auto abastecimento e superlotado de acontecimentos. Tem silencio de madrugada, música alta de festa boa e animada e uns escritos soltos de tendência rimada.Meu solo tem chuva de verão , raios hipnotizantes , barulho demorado de trovão, e prazer de estar vivendo tudo isso debaixo de um edredon. Tem cabana de lençol , bala confeitada , casquinha de creme brullèe(?) quebrada , feijão amigo na panela de barro, barra de chocolate para sustento diário.Meu solo tem beijo roubado , dança solta e de rosto colado , abraço apertado , um colo não aguardado e muitos carinhos inesperados. Tem amores bonitos, tem os que foram, os que são e os que estão vindo.Meu solo é coração , é vida , conectado com o mundo . Conexão sem cabo, sem roteador , não tem tamanho 3G especificado , e nem promoção por tempo ilimitado. Tem Iugoslavia , Colatina, Itália, Mauá, Rio de Janeiro, Giverny, São Paulo , Iraque, Estados Unidos, Madri .Meu solo é plugado, sem intervalos , inseparável do tempo, dos seres e do espaço. Tem metrô cheio, ônibus atrasado, bicicleta correndo na orla, cristo redentor vermelho e mar agitado.Meu solo interage , ama a harmonia na diversidade.Nessa conexão de mentes e corações , a multiplicidade é minha chave e meu solo sinônimo de coletividade.

sábado, 1 de novembro de 2008

quero percorrer essa larga estrada , experimentar e encontrar. encontrar com o outro, realizar o outro , realizar a mim como outra .nós somos fragmentos desses milhares de encontros nesse amplo universo. uma teia cheia de solos, de particularidades, que se conectam e formam um todo. É pela diferença talvez que nos tornamos tão parecidos. e quando alguém revela o que sente lá no fundo, meu coração pisca, me comunico, eu também sinto. busco sempre, desenfreadamente a conectividade. o que nos une? é nesse território que quero passear, sem medo, de pés descalços e coração aberto. essa é minha aventura preferida. soa clichê? não tem problema também me cabe. aqui nada é caso encerrado, é definitivo, tem pretensão; tudo é possibilidade, fragmento, traço infinito, é encontro. prazer. te apresento instantes sabendo que o próximo que esta por vir é sempre um lugar onde nunca estivemos. e ainda bem!

D(entro)

De dentro Criação Sentimento Tempo Frustração De dentro Sentir e não ouvir Falar pra não se escutar Respostas Respostas estão do lado de dentro Escute De dentro Da voz Da alma Do tato Do afeto Do sujeito Sossego Desapego De dentro Encontrar Não a procura ansiosa Que confunde Distancia Escolha da abertura Amadurecimento De dentro Fluir E deixar sair pra fora De dentro Permitir Refletir Tempo interno de cada um De cada sim E de cada fim Erro igual acerto Tudo é começo De dentro É um tempo sem tempo Eu faço Determino De dentro Eu vivo no meu centro Encontro no meu peito Aqui De dentro Onde sigo o meu tema Faço o meu tempo Sigo o que sou O que é dentro.

Sossego.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

dia (eu) cinzo.

No dia de hoje poder ir a praia à pé não é liberdade. Sentir a brisa fresca destemida entrando pela fresta aberta me faz sentir desaparecida. Sim, me perdi de mim. Qualquer pequena notícia pinica que nem agulha numa costura desprevenida.A chuva fina,fria, vista da janela da sala,faz do tempo um inimigo calculista.Não faço mais questão dessa vista.Toda alegria que eu vinha sorrindo está esquecida(qual que era mesmo?)Dia 31 quase primeiro, eu já com medo do fim de ano e a entrada fatídica de um novo janeiro. Não quero mais esperança abatida. nem noite mal dormida. nem falta de brigadeiro. Quero abraçar aquele moço da esquina, dizer que não deixei de lado o sorriso largo, mas....
“Sabe moço, é que quando a gente está triste a vida fica feroz, range os dentes e eu fico que nem uma formiga ... de cara com uma sola gigante sem noção de um sentido sensato pra seguir...Eu quando choro é de tanta vida.A vida chama e por isso a dor. Por isso qualquer tipo de ferida...sim moço, é pela vida.ela pulsa, eu sinto, mas já não vejo mais cor e nem aprecio o sabor que era meu vício. To com vontade de ir embora e te dar uma abraço agradecido de despedida.... oh..vou te contar um segredo antes de dobrar a esquina : Hoje revirei o dia procurando alguma coisa verdadeiramente minha, achei... muitas...só que descobri que não sei o que significa a palavra liberdade e nem gratidão."


E na hora da cama
tem idéia
quer bala confeitada
quer criar
sua vida inventada
acorda o moço do lado
pede pra ele não se incomodar
acende uma luz estourada
papel e caneta na cabeceira
acomoda-se melhor
pra se aprofundar
hora de cama mesa e sonho
colcha quente vermelha
caneta Bic destampada
brisa na janela pedindo pra entrar
um caderninho com cara de falso romântico e letra desgrenhada
ela confeiteira de vidas
empregada de sonhos
otorrinolaringologista(?) de idéias
médica com auto receita pseudo-poética
“adormece poxa”
e uma voz bem queridinha de dentro ecoa
é...hora de deitar...
“não me interrompa e chega bem pra lá
essa noite uma idéia veio pra ..."

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Será essa a hora que mais temi , esse agora que tenho que ser tudo que me prometi.quebrar a casca dura que fiz , parar de sentar em todas as cadeiras que estão por aí , decidir de dentro para onde devo (de fato) ir. Tudo tão meia luz , som de castanhola num som meio quebrado , um mundo chamando, insistindo , eu no limbo, sem cartas na manga, meu particular em constante ebulição , me queimando, sou eu querendo tanto e onde foi parar a força pra persistir? Controle full time e o tempo na malandragem que ainda não aprendi, escoa, e minhas idéias todas ali soltas, ei volta aqui! dentro de mim ecoa o verde da grama amanhecida , o sereno da madrugada de lua cheia fria , o sono interrompido pra ver sorrindo a geada daquela janela embaçada do corredor. a lamparina marroquina, o cobertor de pena de ganso e também aquele peruano que pinica. a água deixando a pele mais macia , a acácia amarela ventando e o vestido feito pela vovó lá em colatina. a varanda imensa , o cabelo longo com flor, o frisson da fogueira acessa, ausência total de dor. saudade do meu avô contando histórias de belgrado perto do fogo, meu pai se dando férias forçadas, relaxado e entusiasmado. O viramundo me ensinando a galopar , e eu escolhendo a fada, uma égua branca quase alada pro viramundo namorar. minha camisola de flanela bordada, e os gatinhos dormindo, bezerrinhos desmamados , os pintinhos despenteados , a galinha dando luz a um ovo caipira(uma delícia estalado) . a bicicleta sem freio correndo ladeira abaixo, meu joelho sempre todo arranhado, eu descendo as corredeiras a favor do rio. vagalumes se confundindo com estrelas, eu brincando de céu num balanço do kiri hoje queimado. a mesa do rei arthur , o vinho quente,batata assada e a panela de barro. gipsy kings e o trote do cavalo árabe bem bailarino empinado. colchão jogado , ar livre , contagem de estrela cadente, eu sempre nenhum pouco prudente, o estômago cheio, o rio congelado , eu inteira no meu universo condensado. distante dos conflitos gritantes...
“não...eu confesso não quero me despedir de todo esse encanto que reside aqui.” mas a pergunta fica : rá que sou tudo o que me prometi?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

o pensamento esparramado fora da folha de papel
a chuva lá fora apagando o excesso do que vinham sendo
a metade da garrafa vazia
a tradução de alguma coisa que não se sabia
a mulher encostada na cama displicente
ele puto com a ligação na madrugada de repente
não querem mais festa passageira
são dois em festa
a qualquer agora
em qualquer endereço
a garrafa metade cheia
o papel vazio

caneta jogada fora
pensamento falado by visão
o tudo preenchido
a cama vermelha quente
a chuva lá fora faz mais barulho do que ali dentro
é noite e está amanhecendo
a sós
há sol.


ou

quando se É, é
that´s all

domingo, 26 de outubro de 2008

aqui

a vida dança conforme o ritmo que meu corpo canta
meu baticum é o compasso , o traço do meu início, a partitura do meu infinito .
bate...bate...bate
enquanto eu rodo nessa pista dançante, incessante , te escuto e sigo.
sou compositora e bailarina de mim
sempre
eterno começo
sem fim
sem fim .eterno começo.sempre. de mim bailarina e compositora sou . te sigo, te escuto, incessante , nessa pista dançante.enquanto eu rodo bate, bate , bate. do meu infinito a partitura do meu início. o traço é o compasso que seu baticum vem...vem... da minha canção , a primeira nota me dá o tom. vai...canta coração... todas minhas danças, em infinita lembrança .em energia transborda minha coreografia. no gingado da infância balança e me leva pra roda. minha música me encanta, galopante nessa melodia do tempo me faz única. minhas notas, meu corpo canta. conforme o ritmo a vida dança.

A vida dança conforme o ritmo que meu corpo canta .minhas notas me fazem única nessa melodia do tempo galopante .minha música me encanta , me leva pra roda, balança no gingado da infância , transborda a minha coreografia em energia , em infinita lembrança, todas minhas danças. vai...canta coração me dá o tom, a primeira nota da minha canção .vem...vem... que seu baticum é o compasso , o traço do meu início, a partitura do meu infinito . bate...bate...bate enquanto eu rodo nessa pista dançante, incessante , te escuto e sigo.sou compositora e bailarina de mim .sempre. eterno começo. sem fim

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

minha eterna busca - busca pela essência real de todos os fenômenos


memórias póstumas


Lembrei que não faz tempo,

sentava naquela poltrona já meio velha, gasta, com uma toalha de rosto, pra aplacar a minha água . Era tudo tão drama, berros, um corpo largado oscilando na posição feto de ser, procurando o útero que já não estava mais ali. Era um auto-colo, uma boca aberta , soluços altos e depois uma gargalhada pra não morrer. Era muita gargalhada, a tristeza era cômica, extremada , ficava de palhaça e platéia de mim. Espelhava-me para ver, ver de perto, a cor da água salgada que brotava dos olhos, imensos, ali extasiada, querendo fundar a ciência da tristeza. Um dia filmei, queria rir mais daquela que não sabia de mais nada, e sofria, achando que valia aquele porque. Foram poses, fotos em PB , alguns minutos chorados vistos na TV. A tristeza era boneca e maquiagem.Hoje sem saber ainda o porque , quis entender, como uma antropóloga dos vestígios do chão, do dia a dia de um ano passado , da poeira que sempre acumula nos objetos, do cartão guardado, da flor jogada fora que não tinha nem batata pra crescer, quis saber " pra onde vai tanta dor". Quando ela passa, é porque vazou,evaporou, porque cristalizou, de tão dura não se sente mais, ou porque foi vivida e está ali apenas como uma marca do que não é mais. Aquela tristeza chegava a ser feliz, de tanto que foi. Era viva. Vida líquida. Existia um prazer mórbido ali, livre passagem para ser clichê ao extremo , dramaqueen declarada, personagem completamente alterada, dramaturga fazendo da dor coisa bem humorada , do palco da tristeza berrava “não quero nunca mais sentir isso” , já sentindo pra sempre que aquilo tava indo. Hoje corre a jato , tudo fica ali no A+ , nos músculos, mas não altera batimento, não atordoa mais com vigor , fica num canto da memória inexpressiva. já não é. esparramou.
Sempre falam que passa....é Passa...
Lembrei , já faz um bom tempo...é. Foi-se o que eu achava que era...e ainda bem.

domingo, 19 de outubro de 2008

ela hoje sereia
nudez pra depois
vestido longo azul
barra molhada arrastando no chão
ela não esconde nada
ela com olhos de espelho
descalça
calada
pele na areia
cabelo solto
despenteada
vento
onda
ela mar
ela sai só pra depois voltar
ela se perde só pelo prazer de se encontrar
ela fonte
ela mapa mundi

ela , Ela.

...e lá ... ela É...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

desenho Marcella França
Quando estou com vontade de chorar
e chove
fico abraçada.
minha tristeza condensada
evaporando.
e a terra com sua cumplicidade imediata
ficando encharcada.
a natureza é minha fiel escudeira. derrama por mim toda minha água.
dura a tarde inteira essa chuva orquestrada pelos meus sons internos.
sou maestra da minha tristeza.
ela rega minhas plantas. fortalece minha raiz. ela prepara meu terreno.
eu fertilizada.

quando choro no cantinho é desperdício.
quando chovo é beneficio.


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

antigo eu

Hoje não me sinto só
Me sinto eu
Eu sou completa
Eu sou cheia de gente
Que sou eu
Dentro de mim mora
Eu
Mora muita gente
Gente boa
Gente má
Gente vulgar
Eu libidinosa
Eu e meu veneno
Eu mais eu
Eu menos eu
Eu sou uma multiplicação de eus
De lutas
De forças
Contra e a favor
Eu versus eu
Eu sou o que não sou
Porque sei que não sou eu
Eu lato
Eu mordo

Eu escolho
Eu desejo
Eu faço
Eu desato
Eu desisto
Eu renasço
O meu eu é cheio
Superlotado
Capacidade máxima?
EU
Eu fim
Eu enfim
Eu infinito eu
Eu dito
Eu obedeço
Cresço
Me oriento
Eu fonte
Eu desespero
Eu ego
Eu id
Eu sim
Eu sou eu
E nunca mais serei

eu?
Só por um instante
...
fui

sábado, 11 de outubro de 2008

feliz dia das crianças


foto : eu pequenina, construção da minha casa em Mauá. sempre amando cruzar as pernas , usar saia rodada,ser liberdade , cabelo solto, vento, transformar algo em inesquecível, brincar com os instantes, admirar o que está sendo construído, e construir...

um trecho da "primeira antiga"versão da peça a menina sem século.
Visto uma saia de tule,sou fada. Rolo na areia. Faço um castelo. A pedra é barco. A casa é pirâmide. Eu sou princesa. A comida não é culpa. O sonho é real. Cada vestido uma fantasia. O lençol me faz rainha. O champagne é guaraná. A jóia está em mim. Sou eu.
Tão bom ser criança. .Vivemos todos os instantes como se fossem uma vida intensamente inteira.Intenso instante, chega a enrolar a língua, a palavra é quase igual. Tão profundo sem querer ser, como se o momento, de tão dilatado, contivesse tudo que foi passado e tudo que será futuro. Sei que sou uma pergunta. Mas também sou infinita resposta. Estou me sentindo tão desconfortável aqui. Quase num isolamento.Olho a Lua pela janela . Nada melhor do que olhar a Lua pra se sentir em casa. Lua foi a primeira palavra que disse. Sempre fantasio que aquela bola prateada no céu une o mundo todo. Que em qualquer lugar do mundo alguém está olhando a mesma lua que eu . Assim me sinto mais gente. Me sinto "cheia de mim", cheia de eus, não mais sozinha no mundo.Nem mais sozinha aqui. Estou com tanta gente que nem conheço. Mas todos nós olhamos prro mesmo céu. E é aquela lua que acompanhou o tempo ,o tempo todo. A lua me viu ser feita e me viu agora pertencendo a uma parte do tempo.E agora me vê esperando. Enquanto ela é tempo infinito. Respiro.
Que momento é esse? Ufa! passou...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

mais um desenhinho

nunca me acostumei com a mesma direção

dando pernas para a lentidão

da semana criança - desenho de 90 da menina.
quando (e se) é lento demais...passa do timing...não sai do mesmo lugar
eu coloco pernas longas pra ajudar
isso nunca foi problema
no máximo uma desculpa para reinventar
lentidão nunca foi suficiente para paralisar.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quando você diz o que tá pensando
dá medo de dizer qualquer coisa
Não pela boca
Pelos olhos que falam demais
A boca tem obedecido
Ficando quieta, não traindo
Mas os olhos levados
Serelepes
Estão rindo
Da boca escapa qualquer coisa sem sentido
Coisas até amigáveis queridas...
na barriga frisson de gargalhada de criança que ganhou doce
e os olhos..

entregam
e gritam ensandecidos
“faz tudo que você tá pensando”
escapa tudo sem nenhuma censura
Larga mão de tudo isso
Faz de verdade
Faz enquanto acredito...

correndo com os lobos


Olhos que inventam idioma
Olhos que respiram fundo
Olhos que nunca estão mudos
Olhos que sentem ; que pulsam. vibram. tateiam.
percebem tudo no seu maior grau
sabem sem precisar perguntar
olhos dizem, respondem com toda intenção
compreensão
olhos que são.
fogo em noite escura.
Fogaréu
vivem todas as respostas do mundo . já! nesse segundo
céu estrelado
estrela cadente
Olhos constelação
em volta gente
de verdade.

Olhos sexo
Olhos no peito que bate
ofegante
Olhos nos olhos
tem sempre o que expressar
busca
às vezes desesperadamente
quer
corre. pisa fundo
tem mais equilíbrio e força na perna direita
fica de quatro quando quer
nunca rasteja
dança pra fazer seu corpo aumentar
gosta de parar quando o corpo atinge movimento ininterrupto
só pelo prazer de sentir ele vibrar.
quer expandir
liberar
ser na sua totalidade
toma sopa quente. come pão e bebe vinho pra comemorar.
recebe cócegas e lembra que quando criança pedia pra ganhar
hoje desconfia , mas gosta , gosta.
de vez em quando tem medo de crescer
ser por inteiro tudo que já é
mas é isso que quer
e quando quer
quer demais
excesso selvagem
como se o corpo não bastasse
precisa ocupar mais espaço
dançar mais rebolado
deseja gente com grandeza de visão nas miudezas nunca explicitas
considera isso a maior nudez e percepção.
ama e às vezes nem sabe o que
quer vir à tona e vem
ocupar por inteiro aí onde mora
vulcão que nunca dorme







terça-feira, 7 de outubro de 2008

verdade


Eu mesma me criei uma vida
onde posso criar a vida.

pensar-mento

continuando a série sweet child of mine...
eu.maio de 92. meus 6 anos.tradução literal.

A poisia do persamento
o que você esta pensando é um pensamento
Leve Leve Leve que só você tem ese
persamento outra pessoa tem um pensarmento
diferente do seu é cada um tem o seu
pensamento que é LEVE LEVE LEVE
O persamento é bonito o pensamento é o que
a gente pensa é um Conto de fadas o
pensamento da ideias sonhos na cabeÇa
poriso é importate prá gente O persamento
é Lindo é um Conto de Fadas é
lindo super lindo



















domingo, 5 de outubro de 2008

ela hoje menina moleque .
saia curta rodada.chapéu de palha roubado.
roxo na perna.sem sutiã.sem nada.ela tudo.
doce na mão. gula.cheia de intenção.
nem sabe que existe a palavra preocupação.
ela sentimento nunca catalogado.bicicleta sem rodinha ladeira abaixo.
pintora de pedra.nômade.ela subindo em árvore. ela chão.ela terra fértil.erva daninha.
ela sem idade. horas não são. galope sem sela. crina voando. ela viramundo.
ela fazendo qualquer coisa. inventora de estação.ela malandragem. ela fingindo que nem vê. só pra ser de verdade.ela invencionice. ela gritando pra galinha botar o ovo. mente desperta. cientista de girino. ela olhar recriando.ela ação. ela conjugada no presente.ela tomando champagne no guaraná . ela vestida de lençol. ela vida ativa. ela pulsante.ela chamando pra cabana. ela construção. ela material bruto. ela convite irrecusável. ela de ninguém. ela propriedade privada.ela dela. ela sendo e o tudo fora tão completamente de dentro.
Era uma vez que sempre se é.

desenhinhos da menina quando bem menininha..nininha..nininha..ninha...inha..inha..inha..inha.............




minha semana de criança.


poeminha da sem século aos 5 anos...na alfabetização...na volta de um colégio perto ainda daqui.
tradução com seus erros e tentativas de efeito.
saudades de mim.

O vento sopra o rio corre
com todo
ese praser que
o seu olhar brilha com
seu coração no seu
sonho que brilha no
céu
ou seu que tem anjos
tem estrelas lua e
tudo
iso representa o
seu
renacer do olhar
mas bonito que você tem

asinado ana carolina I Luppi

sábado, 4 de outubro de 2008

Fazendo Verão


Visconde de Mauá , minha casa , algum dia de janeiro de algum ano não muito distante. um escrito perdido num caderno meu . achado hoje num dia de vontade de sol.

Hoje dia de sol doce
Eu largada
esparramada
Recebendo açúcar do céu

O sol daqui é doce
E eu fico fruta com mel.
...
To morena doce
Desse sol de janeiro
Estendida na grama
Dialogo com o céu.
Banho de rio gelado
Minha nudez despudorada
Troca de calor
Nadando contra a correnteza forte
Só pelo prazer seguinte


de me soltar e deixar meu corpo não mandar.

Súbito silêncio
De tanta intensidade
Todo calor se transforma
E cai a chuvarada
Agora
Casaco de lã
A luz apagada
Castiçais antigos
Eu entre velas
Minha sombra iluminada
Um dia de verão
Felicidade disfarçada
Um dia à toa
Brincando de ser por inteiro
O que se é
Mas nem sempre dá.
Sem tempo espaço pra limitar
Flor virando fruta
Muito açúcar
Rodeada de verde
De vida pra brotar.




















sexta-feira, 3 de outubro de 2008

em processo

tenho vontade de te dar um tapa na cara
e depois um abraço bem apertado.
tenho vontade de gritar,
dizer que acho tudo errado
e depois me render com alguma jura de vitória e convicção.
tenho dor e raiva desses meus olhos ingênuos
e depois muita gratidão.
tenho vontade de brigar com você
e depois apertar o pause pra comemorar toda raiva que se perdeu,
com vinho tinto (o meu sempre gelado e o seu no gargalo).
tenho vontade de confiar cada vez mais em você
e que sua vida responda sempre a minha confiança.
tenho vontade de te aplaudir ,gritar
e concordar de vez em quando que nem sempre a vida dá pé.
tenho vontade de dialogar sobre a minha e a tua convicção
e descobrir que mais do que mão dupla , sejam 8,16...
o que importa não é a pista, é o sentido que a gente dá à direção.
tenho vontade de vida de verdade (com todas suas dores e rimas)
e da expansão que fertiliza minha estrada de achismos,olhares e pulsação.
tenho vontade de somar os bastidores de todos dias nublados,
desde que você me contou que eles geram mais do que a comoção.
tenho sempre a vontade de nunca abrir mão de chorar aos montes,
me emocionar ,acreditar ,agrupar, somar
sem ou cem palavras
tenho certeza que a gente se encontra nesse compasso ávido da batida do coração.
e é essa a linguagem que diz...


quinta-feira, 2 de outubro de 2008











tua

angústia de cada dia : ensaísta que nunca estréia seu ponto de vista.

escuro


brinco no silêncio
ando falando pouco do que anda por dentro
to esvaziada
esquecida das palavras
escurecida
meu vazio que antes comunicava
pela primeira vez não está me preenchendo

então procuro ... juro
mas a verdade é que não acho porque estou desencontrada

e o meu olhar amputado.







quarta-feira, 1 de outubro de 2008

meu inteiro




hoje a luz está diferente.
entra pela janela, uma fresta quente e macia.
andando pelo corredor me pego surpresa.
acho a toda hora que a luz está acesa.
não...
é a Primavera que chegou ao meu quarto.






segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Para a sua pergunta

Respondendo pra você, disse que não era não.
(sobre aquela pergunta).sobre o texto.
Curioso em saber se tinha algum aqui que fosse, te respondi que ninguém na minha vida passa incólume. Ninguém passa sem me inspirar. Essa é minha prisão. Alguém pra mim. Alguéns, sugerem o tempo todo palavras, escritos, pensamentos, imaginação,nem sempre ação.
Mandei vasculhar aqui pra achar . Preferi do que responder. Nem que seja uma palavra, um ponto de interrogação, uma dissertação prolixa, um texto péssimo, algo que só eu entenda , um ditado chavão, mas ninguém passa por mim sem me dar em troca inspiração.
Pra você que está procurando : te dou um mínimo de ação, testar a grandeza de visão.
se encontrar aqui é um exercício de auto-conhecimento...ou não.

resposta não tenho

pra você as minhas reticências...
são mais.


mais que palavras...

Fonte

Eu quero captar o meu É. Meu tema é o instante? Meu tema de vida. Quero não o que esta feito, mas sim o que tortuosamente se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silencio.
Fotografo cada instante. Aprofundo as palavras , não quero perguntar por que ,pode-se perguntar por que e sempre continuar sem resposta.
será que consigo me entregar ao expectante silencio que se segue a uma pergunta sem resposta?
Embora adivinhe que em algum lugar ou em algum tempo existe a grande resposta para mim.
Ouve-me .
Ouve o silencio, o que te falo nunca é o que te falo e sim outra coisa.
Capta essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela.
O instante já é um pirilampo que acende e apaga, acende e apaga. Eu viva e tremeluzente como os instantes acendo-me e apago , acendo e apago .

Clarice Lispector.

Tarefas de hoje

- reinventar alguma coisa.
- improvisar um jantar.
- meia hora de silêncio
- achar alguma solução dentro de mim e botar pra fora.
- reorientar o olhar sobre tudo.
- brincar com a minha exclusividade
- produzir um pequeno milagre.
- dizer o que eu penso com objetividade e delicadeza.
- dormir meia hora.
- gritar durante 50 segundos.
- arrumar o quarto
- aumentar as horas.
- comer menos chocolate.
- remarcar o chopp prometido.( eu caipirinha).
- quebrar uma casquinha de iogurte congelado.


.....................
mais que um instante eu quero o seu fluxo...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

quando você vier procurar



eu na minha busca desenfreada por transparência não ando conseguindo comunicar...então o maior trabalho fica pra você:
Decifre o que está por trás do atrás de todas palavras...que é lá que eu quero chegar.

foto olhar da Mari Hildebranda.



É que palavras são tentativas muito subliminares para qualquer coisa.
Tudo do que eu gosto é inexprimível
Então
Falo de nada.
Estou cheia de palavras que não são.
Então faço um inventário de sentimentos não catalogados

e canto em gromelô.


.......


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Roubando o Patrick descaradamente: marília gabriela :


A primeira palavra que disse foi Lua e ama a palavra Revolução. Anda enjoada de ser ela. Pensou em mudar de nome, pensou em ser Linéia no Jardim de Monet , mas não acha que é isso que resolve. Adoraria viver na Idade Média, ter sido bruxa não perseguida, ou no Renascimento ou no século 18, ou na década de 20, 50, 60, pularia as de 80 e 90. Também gostaria de ser pré-histórica. Brincava de “selvagem” pelos rios de sua fazenda, à base de goiaba e araçá, cheia de roxo na perna e dispensando o castelo encantado. Também vendia pedra na porteira e era cigana. Hoje ela é de tudo um pouco, assume vários personagens . É sem século e precisa de goiaba pra viver. Além de chocolate ao leite, madrugadas de caipirinha e longas conversas , casa de campo, som alto, frio na barriga, pés descalços e Clarice Lispector de auto-ajuda. Gosta de fazer currículos pra “não convencer”. De transformar poesia em objeto. De ouvir cd arranhado. Se empolga com "cheia de charme" do Guilherme Arantes. De comer chiclete de 2 em 2. De ser torcedora fanática do FLU só quando ele está pra ganhar. É pé no chão e tem asas.Tem dificuldade de desligar. Ama o sono. All star. Rosa no cabelo. Tem gente que acha que ela é romântica, mas faz pouco tempo que ela acha legal ganhar flores (não esperadas) e andar de mãos dadas. Gosta de conduzir na dança e fingir que não. É pé duro. Gosta de brincar de ver tudo como pela primeira vez.Tenta ser assim. Sempre. Uma coisa nova. Mas é outra. Que nem ela descobriu ainda.



Ps pro ps: Pra ser atemporaneo tem que pedir licença pra 3 pessoas. hehehehhee

sábado, 20 de setembro de 2008

Auto-Ficcional

(eu-ficcional-ele-ficcional-nós-ficcional-você-que-acha-ficcional)

Ele gosta
Gosta de fingir
Ele gosta
Gosta de mentir
Ele gosta
Gosta de induzir
Ele gosta
Gosta de seduzir
Ele gosta de emoção
Ele gosta
Ele diz que sofre com a busca
Ele gosta
Gosta da eterna procura
Ele diz que admira a si
Ele gosta
De dizer
Mais do que admirar-se
Ele gosta de brincar de despudor
Mas treme mesmo é com o pudor
Ele beija bem
E acha que beija muito melhor.
Ele se acha demais
Se não se achasse tanto
Seria mais

Eu acharia..
Ele encontraria
A si
Ou o meu achado.
Eu dessa vez chamaria
Ele ouviria.
Ele acha que esse poema é pra ele.
Ele acha sempre.
Ele gosta.
Deixa ele achar.
Ele se diverte
Ele gosta
Ele gosta...
......

Ele desligaria o rádio de voz rouca
Ele pararia de trocar de estação
Ele comporia música pra bom ouvido
Ele me chamaria atenção

Eu gritaria ( de verdade agora)

Ele fica doido com várias
Ele não conhece a loucura que eu faria
E olha que ele tem até boa visão e imaginação...mas

Ele não imaginaria...
Ele é falador de si.
Ele gosta de se gabar.
Ele conta historias inventadas do seu mundo particular.
Ele acredita que todas vão dizer “eu te amo” um dia.
Ele pensa que gozo é grito, é gemido, é avisado.
Ele diz que nunca cai em armadilha
Ele de manhã é calado.
Ele a noite é descarado.
Ele sóbrio é observador.
Ele com álcool é fingidor.
Ele pega.
É ...ele tem pegada.

Ele é verde e se acha maduro.
Ele é baixinho. É moleque. Meio esquisito.
Ele se acha “bom moço bandido”
“não preciso ser lindo pra ser o mais querido”
Ele se atreve.
E busca conforto em Clarice, Pessoa, Vinícius...
(Tá Isso eu também faço)
Ele diz “olha só o que te escrevi”
Ele questiona
Ele reclama que não encontra seu amor
Ele oscila “dou e não dou conta da minha dor”
Ele é clichê
Ele chega a ser autêntico.
Ele é um profissional.
Ele é primitivo.
Ele não está me deixando dormir.
Ele me deixa apertada na cama.
Ele se esparrama.
Chega pra lá!
Ele não acorda com a luz ligada.
Ele no meio do sono reclama alto.
Ele acha que eu não sei de nada.

Eu ainda gosto de ser domadora
(desde que não seja leão)
Ele não é rei da selva
Ele não é o melhor de cama
Ele que acha.
Eu não.
Eu gosto desse jeito dele todo de ser
o que ele não acha que é.
Ele é tolo, dá pra perceber.
Ele é tão “bonitinho”.
É menino.

Acha que não.
Ele teve uma namorada que não sabia que namorava ele.
Ele não sabe que eu sei disso.
Aliás de mim, ele não sabe nada.
Mas acha.
Que sabe.

e nada adianta dizer " a estrada vai além do que se vê"

Ele me liga quando eu desligo.
Chega. To indo dormir.
Chega pro lado
Deixa que eu te acordo direito tá?
Te acho bonitinho ainda assim ...esparramado...
Mas com cuidado
empurro um pouquinho pro lado...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008




Saber
Criar
Navegar
Em mim
No certo
No suspeito
Onde nasço
E me desfaço
Voar
Relembrar
Saber quem eu sou
E ser
E estar pronta
pra ser
Sempre estar
E ser mais
Falar a minha língua
Intuir novos sentidos
Aguçar meu paladar
Me desfaço
E renasço

Morro e crio espaço
Preencho meu tempo
Com meus mistérios
Alguns dos meus critérios
Com meus sentidos
os mais sentidos
De pessoa que se faz
A cada instante de vida.
Sigo confiante
Em caminhos
Distintos
Distantes
Perto dos horizontes
Ínfimos
Eternos
Etéreos
E nebulosos
Intuo respostas
Apresso a conclusão
Marco território
Perco a razão
Percorro
Trajeto
Despeço
Sou eu
Não pergunto quem
Revelo a alguém
Essa espécie que sou
Distinta
E constante
Com conflitos gritantes
E amante
De mim
Sou apenas sou
Eu mesma
Infinita
Reveladora
Penetrante
Abundante
Me julguem
Me perguntem
Me amem
Me destruam
Me matem
Me desfaçam
Sou . presente.
Ainda sou
Contínua
Perto e distante
Metáfora
Clichê
E mutante
Figura estranha
Existo
Sei de tudo
Que reside dentro de mim
Conheço meus meios
Meus freios
Até onde vou
Vou até onde sou
Pra sempre
Estrela
Quando explodir a luz é constante
Brilhante
Mesmo quando a manhã
-isso, para os olhos tolos-
não deixe você enxergar.





em todos setores da vida: faça..eu recomendo...TODOS!


quarta-feira, 17 de setembro de 2008


hot hot hot. essência.hot hot hot.
pimenta.
muita.
na veia.

qualquer coisa como qualquer coisa

Hoje. acordar na corrida do tempo . Mais acelerado. Batimento rápido o resto do corpo todo sonado.
Figurino.
Pra vocês. Eu no disfarce do riso.
tá. minto.
eu rindo é atributo do que eu sinto.juro!
pediram preu sorrir de verdade. em algum momento desse dia acelerado.
não consigo por muito tempo, senão fica congelado.
que estranho.
sorrio.

Agora.
eu já atleta do tempo. ganhando a corrida.
to no podium de acelerada.
falaram de um remédio
que aplaca, acalma, anti- ansiedade.
todo mundo tomando.
esqueci o nome.
natural.
o remédio.
e eu também
assim.
.................

chuva.
quase anônima na livraria
eu
procurando pelo título a distração.

divagação
é uma ação devagar?
sei...essa brincadeira com palavra chega a ser vulgar...
( merda tá rimando..pior ainda, tá foda não to conseguindo cortar a rima)
mas eu to perguntando mesmo.
é sério.
enfim depois do ( )
clarice entrevista um bando de gente num livro de capa vermelha e branca.

"eu exijo muito, porque me dou muito"
Tônia Carrero quem disse.
pensamentos respondidos a altura das perguntas do livro de capa branca e vermelha. mais branca que vermelha.
só assim vejo graça nas entrevistas. isso hoje
respostas que me cabem.
que gostaria de responder.
de viver.
Posso roubar?
tá cabendo em tudo na minha vida bem nesse agora.

posso Tônia?
mas vou usar mais vermelho que branco.
por dentro, não na capa.
escarlate.
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