segunda-feira, 23 de março de 2009

tem dias que.

--------------------------------------------------------------------
Hoje cuido das sementes que se descobrem férteis em mim.Me abraço para dar aconchego ao crescimento que quero ver aqui de dentro.Faço chuva durante a última madrugada de verão e desejo ouvindo o vento abrindo o tempo, que todos meus bons conselhos aos outros tornem-se nascimento também em mim. Hoje faço do meu agora o melhor terreno pro crescimento que quero viver.

--------------------------------------------------------------------

Hoje ela me contou como foi quando a casa em que ela nasceu, morreu.

E eu imaginei o que deve sentir uma pessoa que cresceu vivendo em uma casa só. O que fazer quando é preciso ir embora de vez? Quando o pra sempre ou o nunca mais existe de vez.
Vê-la pela última manhã pintada com tinta, que já um outro escolheu. A sala vazia. A cozinha agora só com azulejos. Penso no tchau, ainda deitada na cama antiga, para a vista do quarto que viu claramente os dias mais escuros, para as paredes gastas, confidentes dos choros abafados, das felicidades tão cuidadas,da bagunça disfarçada,da ordem simulada ,do amor gritado e do emudecido.A república independente que era aquele quarto.
Imagino o que deve ser andar pela rua que decifrava cada linha dos pés descalços, e que agora não é mais caminho de volta. Comprar o pão quentinho da padaria amiga e levar pra outro canto, abraçar o jornaleiro que sempre a viu como criança e ler o segundo caderno sem o sol da varanda, daquela varanda.

"Agora existe uma casa nova . Sem espaço pra você. A vida tratou de encaixotar suas coisas."

Hoje também percebo quantas casas morrem dentro de mim. Estou de mudança, o caminhão carrega somente as caixas que ainda me servem, as outras, inúteis, foram devidamente, destruídas.
Não há mais espaço para o que eu costumava ser.É preciso mesmo
amadurecer sem perder energia, vitalidade , o frescor e a liberdade de ser.
Entro devagar pela nova sala vazia , clara, sol de meio dia. Como é bom enxergar que tudo que não me cabe mais é também esterco pra nascer mais vida.





2 comentários:

Dani Barbosa disse...

linda!! eu vou sempre querer visitar seu eu onde quer que ele esteja, mesmo que ele se mude pro pico mais alto da montanha mais longe na floresta! te amo amiga, mudanças bem vindas com o coração mantendo o que tem de bom!!

E vai mesmo ver os gêmeos, e me conta td... eu vi uma exposição deles aqui há pouco tempo, foi irada!!

Gopal disse...

Seus textos são lindos! Parabéns!

Related Posts with Thumbnails