sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vida Básica

um re-post antigo...
Tô cansada dessa vida básica
Hora ajustada para acontecer
Despertador marcado com antecedência
Gritando “ ação”
“Eu não!”
respondo
...sonada
Falo de novo
“Chega dessa vida básica”
O pretinho clássico é justo demais
Incomoda
Restringe meu rebolado
Me deixa sem gingado
Não mantenho a pose de salto alto
Tropeço de cara
E me sobra um joelho ralado
Pra cair só se for fora desse esquema armado
Pessoas estilo supermercado
ação pelo dinheiro
compro – como- bebo
falta de tempo
Sinônimo de atividade
“estou fazendo e acontecendo ...”
“com licença não dá pra falar com você agora : encontrei a felicidade”
É ..pensar no mundo ta fora do prumo

Fiquei de fora
Na procura incessante do meu rumo
Do meu profundo
Achando que vale
Crer , sonhar
Rebolar. Rebolar. Rebolar
Cair no chão
Chorar
Reclamar
Sonhar de novo
E depois dançar
Me perder na pista
Comemorar o sonho que vira vida
Fazendo a roda girar
Vibrar...
Lá vem a vida básica ensaboando meu chão
Escorreguei. Acordei,
Foi o despertador programado para gritar
Dar um escândalo
“chega dessa vida básica”
Minha voz tenta sair
Como num sussurro infeliz
Pós - sonho
Pré -levantar
Pra onde esse som desse aparelhinho alto demais vai me levar?
Todo mundo sabe o ritmo
De cor e salteado
Da coreografia
E ai me chamam de pé duro...
Não consigo... Não me encaixo...
Acho que a vida me obrigou a encontrar minha autenticidade
Porque ... eu confesso:
já tentei seguir a dança desse escandalizador matinal
chorei
passei mal
Mas hoje?
To feliz até quando estou triste de não ser assim
Básica
Banal
Não sei ser previsível
Nem mesmo pra mim
Data pra ser
Hora pra acontecer
Estilo
“ ser feliz , dançar , beber , me acabar ...porque somos jovens..porque é carnaval”
E eu com isso, afinal...?
Apago a luz.
Acendo uma vela
Dou trela pra ela
Que me resume
Ta na estante perto da janela
Um livro dos prazeres
Só clarice pra me abastecer desse constante “ser ou não ser”
E lá tem a pergunta
“o que consideramos a vitória nossa de cada dia?”
Definiu
O que tanta palavra esparramada
Queria explicar
Transmitir
Transbordar
Respondo – a mim-
Num diálogo lúdico atemporal
“ a minha vitória é ser assim”
Criadora de mim
Do meu tempo
Do meu senso
Do meu universo
Flor
Saia rodada
Camafeu
All star colorido
Bolsa antiga
Paetê
Bordado
Camiseta branca
Tudo misturado
Clássica , básica, barroca, romântica , modernex , contemporânea , clichê
Não existe estilo definido pra mim
Sou tudo ao mesmo tempo
Ou nada o tempo inteiro
Sou o que me permito ser.
...
Será que é por isso que sempre acordo atrasada?


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ela hoje menina moleque.saia curta rodada.chapéu de palha roubado. roxo na perna. ela sem sutiã.sem nada.ela tudo. doce na mão.ela gula. ela cheia de intenção. ela não sabe que existe a palavra preocupação.ela sentimento nunca catalogado.ela pintando pedra.cigana no verão.subindo árvore.ela caindo no chão.ela cavalgando sem sela.ela viramundo.ela terra fértil.ela horas não são. ela sem idade. ela fazendo. inventora de estação.ela malandragem.ela fingindo que nem vê. só pra ser de verdade.ela outra que nem descobrira ainda.ela invencionice. ela gritando pra galinha botar ovo.ela mente desperta.ela cientista de girino.ela olhar recriando.ela conjugada no presente.ela tomando champagne no guaraná. ela vestida de lençol. ela vida. pulsante. ela chamando pra cabana. ela construção.ela material bruto. ela convite irrecusável. ela de ninguém. ela dela. ela sendo . ela simultaneidade de tempos. ela e o tudo fora tão completamente de dentro. ela.



era uma vez que sempre se é.

Um comentário:

Clara Martins disse...

que beleza esse da vida básica... encontrei parte de mim nele, uma parte da clara no início da década. gostei desse espaço, voltarei outras vezes... beijo.

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