segunda-feira, 27 de setembro de 2010

fluxo de uma maré











































Não sei,
mas por hora 
ter a firmeza dos capitães em mar de chuva
cairá como um chá de capim limão em dia de frio e insônia.
ser  assim, 
uma especie desses  “leva navio”
direcionador sobre a água revolta e teimosa
marujo, marinheiro
ou pirata que intui com maestria onde espera o ouro
onde está o tesouro ali ansioso em ser encontrado para ter a confirmação de sua própria existência.
por hora,
aqui,
onde nada abastece
tudo se torna suficiente porque a morte da expectativa insiste em se apresentar
mansa, sorrateira
aqui, 
onde estou 
onde não nos encontramos
porque nunca te convidei
as nuvens passam e não trazem vento
é bem estranho esse ar parado
está tudo muito calmo
coisa mais perigosa que tempestade de granizo
a calma é o silêncio dos ladrões, 
é o golpe baixo da estação que vem
e continua indefinida
agora pode ser verão, outono
inverno
tudo está tão igual
permanece
tempo estático
água leve ou
temporal
aqui,
navego
capitaneio meu desejo
essa é minha auto expedição
Adelante companheiro ,sussurro em meu próprio ouvido
quero a força do mar que não cessa sua dança
em maré baixa
ou Lua cheia
no vai e vem
aqui, 
tudo indo já é alguma espécie de movimento
ser rio que corre com a certeza que vai desembocar
é a soluçao mais romântica
para persistir
será que todo marinheiro precisa de um porto para chegar?








































Interferência sobre livros. Memórias escapulidas. 2010. nanquim, acrílica, pó de café, pregos.

5 comentários:

Tatiana Telink disse...

Alimento para o olho, para a alma, para o coração. Viajei de barquinho no fluxo dessa maré. Adorei. Beijo, flor! Tati

Aquela disse...

a gente precisa entender menina. eu não sei bem o quê, mas precisa viver as fases, as coisas, estar nas coisas, sem querer sairdelas, sem querer estar antes ou depois. estar num estado quase virginal.
estou lendo clarice denovo.. eu fugi tanto dela, porque da ultima vez ela me fez sentir a dor, a dor quase do parto, a dor que vêm depois do parto.
eu amo te ler carol, ou ana, ou menina, como preferir.
e agora estou aqui, nessa universidade que me sufoca, você trouxe ar puro, vida pra esse bando de cadeiras vazias de gente cheia.
obrigada mais uma vez.
te leio ainda mais hoje.
sede de você.

Simonetta disse...

la vie en close, como diria e disse leminski.
o seu olhar, a sua escrita,você no palco,
nos objetos plásticos, desenhos,
sempre me trazem uma nova perspectiva,
te abraço bem forte

lila disse...

ei,carol!!!
amei o comment...rs
e é isso,sim!
e por aqui, tudo cada vez mais oceânico e azul...
bjo e bjo

Gabriel Pardal disse...

lindo lindo o livro partido a palavra navalha e olha o pássaro virando carvão virando diamante. há o existir. numa rua um beijo virou a esquinav

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